20 de maio de 2020 às 09:24

Empresário Paulo Marinho presta depoimento nesta quarta-feira sobre vazamento de operação para Flávio Bolsonaro.

Segundo delator, senador foi informado por delegado da PF sobre defagração de uma operação do órgão.

Crédito:Foto: Agência O GLOBO

O empresário Paulo Marinho vai prestar depoimento nesta quarta-feira à Superintendência da Polícia Federal do Rio em um novo procedimento de investigação instaurado para apurar eventual participação de servidores no vazamento de informações sobre a Operação Furna da Onça.

Segundo o empresário, o senador Flávio Bolsonaro foi informado por um delegado da Polícia Federal, entre o primeiro e o segundo turnos da eleição de 2018, que seria deflagrada a Operação Furna da Onça, que continha um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) sobre a movimentação atípica de R$ 1,2 milhão na conta de Fabrício Queiroz, então assessor de Flávio.

Por causa desse relatório, Queiroz passou a ser investigado por suspeita de operar um esquema de "rachadinha" — prática de devolução de parte dos salários dos funcionários — no gabinete de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).

Segundo o relato de Paulo Marinho, foi o próprio senador que o procurou para contar sobre o episódio do vazamento depois que o caso veio à tona em dezembro de 2018. Na ocasião, ele estava acompanhado do advogado Victor Granado Alves, seu então assessor parlamentar na Alerj.

Na terça-feira, os advogados de Alves admitiram que ele foi a uma reunião com o senador na casa do empresário Paulo Marinho em dezembro de 2018.

Em nota, a defesa também nega irregularidades na relação de Alves com Flávio Bolsonaro e aponta que ele exerceu serviços advocatícios para o PSL. Ele é investigado junto com Flávio e Queiroz pelo Ministério Público do Rio no procedimento que apura peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa no âmbito do gabinete devido à “rachadinha”. Alves como Flávio e Queiroz também teve o sigilo bancário e fiscal quebrado pelo TJ do Rio em abril do ano passado.

Entre os citados por ele na reunião em que Flávio teria relatado o vazamento, apenas Marinho foi intimado. Após o seu depoimento e eventual apresentação de provas, isso será reavaliado para ouvir novos depoimentos.

Bolsonaro diz que empresário terá que provar

Na noite de terça-feira, o presidente Jair Bolsonaro disse que o empresário terá que provar suas declarações. Foi a primeira vez que Bolsonaro comentou o caso, revelado no domingo pelo jornal Folha de S. Paulo.

— Ele vai ter que provar, não vou entrar em detalhe, quem foi o delegado que teria dito para um assessor do meu filho...É sempre assim, né, "ouvi "dizer". Não, não é "ouvi dizer" — disse Bolsonaro, em entrevista ao jornalista Magno Martins, transmitida no Instagram. — Quem vai provar? "Ouvi dizer". Não é assim, não. Você está mexendo com a honra das pessoas.

HONRARIA

 

Delegado da PF citado em inquérito recebeu maior homenagem da Alerj a pedido de Flávio Bolsonaro, a medalha Tiradentes.

 

A honraria foi concedida a pedido do então deputado estadual Flávio Bolsonaro.

O projeto de lei que concedeu a medalha, em 2008, foi assinado em conjunto com o então deputado José Nader.

A homenagem reforça a ligação do delegado Derenne com a família Bolsonaro. Essa proximidade foi mencionada em depoimento no inquérito que investiga suspeitas de tentativa de interferência do presidente Jair Bolsonaro na PF.

Derenne foi citado nesta terça-feira (19) no segundo depoimento do ex-superintendente da PF no Rio e atual diretor executivo da instituição, Carlos Henrique Oliveira.

Questionado se sabia se algum policial federal da superintendência do Rio era próximo da família Bolsonaro, Oliveira respondeu que “se recorda do delegado Márcio Derenne, o qual, segundo tem conhecimento, não participou da Operação Furna da Onça”.

No fim de semana, o empresário Paulo Marinho disse ao jornal "Folha de S. Paulo" que, em 2018, informações sobre a operação foram vazadas de dentro da PF ao senador Flávio Bolsonaro, filho do presidente. O Ministério Público Federal abriu inquérito para investigar essa denúncia

 

 


Fonte: jornal extra

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