16 de junho de 2020 às 09:53

Indústria do entretenimento no RJ tem 450 mil desempregados, e prejuízo deve chegar a R$ 70 bi

Artistas recorrem a financiamento coletivo e tentam se reinventar para resistir à crise causada pela Covid-19. 

  No salão vazio do Renascença Clube, não há batuque, pandeiros, cavaquinhos, bandolins, violões, muito menos cantos. Não há risadas, nem conversas e nem sorrisos ao redor dos músicos. Ao contrário do que há 15 anos acontece nas tardes e noites de segunda-feira, o Samba do Trabalhador está mudo.

Há três meses, o ponto de encontro de amantes do samba localizado no Andaraí, Zona Norte da cidade, não lembra em nada os escassos metros quadrados disputados de forma acirrada pelas cerca de 1 mil pessoas que, a cada sete dias, costumavam lotar ao local.

Um vazio que, de forma simbólica, reflete a situação vivida por artistas e profissionais das artes e espetáculos. Pessoas cujas finanças e meios de sobrevivência foram destruídos pela epidemia do novo coronavírus.

Segundo a Apresenta Rio, associação formada por diversas empresas da indústria do entretenimento, 1,5 milhão de pessoas que trabalhavam no setor ficaram desempregadas no Brasil desde o início da pandemia. Pelo menos 30% – 450 mil – desse total estão no Estado do Rio.

O prejuízo, como se pode antecipar, não será pequeno.

 

"Sendo bem conservador nos cálculos, se as coisas continuarem como estão, até o fim do ano o prejuízo na área de shows e eventos no Rio deverá estar próximo dos R$ 70 bilhões", avalia o diretor-presidente da Apresenta Rio, Pedro Augusto Guimarães.

 

 

Ao lado de São Paulo, o Rio concentra a maior parte dos shows e eventos de grande porte realizados no Brasil.

Dados da associação apontam que carnaval deste ano rendeu R$ 4,1 bilhões; a edição mais recente do Rock in Rio, realizada em 2019, gerou R$ 1,7 bilhão; o Rio Open, principal torneio de tênis do Brasil e último grande evento esportivo na cidade, arrecadou R$ 130 milhões e empregou pelo menos três mil pessoas.

"O setor que agrega shows, espetáculos, eventos e turismo representa 5% do Produto Interno Bruto fluminense, fica atrás apenas da indústria de óleo e gás. Mais de 80% da cadeia de trabalho nessa área é temporária – quando não há eventos e shows, essas pessoas ficam desempregadas e impossibilitadas de pagarem suas contas. Só que nunca vivemos uma situação na qual a paralisação das nossas atividades se prolongasse de forma tão extensa", descreve Pedro Augusto.

 

 

Fonte: G1

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