19 de novembro de 2020 às 19:01

RJ registrou cerca de dois casos de racismo por dia em 2019, diz estudo


Crédito:Reprodução/Internet

 Estudo inédito do Instituto de Segurança Pública (ISP), o Dossiê Crimes Raciais, mostra que, em 2019, 844 pessoas foram vítimas de discriminação racial no estado do Rio de Janeiro, sendo 766 delas negras — a autodeclaração é feita na delegacia, no momento da denúncia, e muitas vezes as vítimas não se identificam como negras. Isso quer dizer que duas pessoas sofreram racismo por dia.

A maioria das vítimas foram mulheres, com idades entre 40 e 59 anos. Em 42,9% dos casos, as vítimas não possuíam nenhuma relação com os autores dos crimes. Estas são as primeiras estatísticas oficiais sobre o tema usando como fonte de dados quase três mil registros de ocorrência feitos em 2018 e 2019 nas delegacias da Secretaria estadual de Polícia Civil do Rio.

— O ISP se orgulha muito de lançar um estudo tão importante para ajudar a construir a sociedade que queremos. A elaboração desse Dossiê é importante não só para nortear os Poderes na criação de novas políticas para reduzir o número de casos de racismo, como também para aprimorar os instrumentos estatais que já estão funcionando — afirma a diretora-presidente do ISP, Marcela Ortiz.

O estudo foi lançado nesta quinta-feira em entrevista coletiva com a presença de Marcela e dos autores do trabalho, os pesquisadores do ISP Jonas Pacheco, Erick Lara e Thiago Falheiros.

Mais da metade das vítimas de racismo no ano passado foi de mulheres (58,2%). Os homens representaram 39,7% do total. Quase um terço tinha entre 40 e 59 anos (262) e 8,7%, tinha até 17 anos (73). Segundo o Dossiê, 46,3% dos autores eram conhecidos das vítimas e 42,9% eram pessoas com as quais as vítimas não possuíam nenhuma relação. É importante ressaltar que cerca de metade dos autores desses delitos (45,8%) eram mulheres.

Os ambientes fora de casa foram locais com a maior incidência de ofensas (43,3%), seguido pela residência (27,1%) e pela internet (5,5%).

Durante a análise dos dados, foi feita a leitura de cerca de 3 mil registros de ocorrência e constaram as ofensas verbais mais frequentes contra as vítimas de racismo no estado. Palavras como “macaca”, “macaco”, “negra”, “preto”, “preta” e “cabelo duro” foram as mais usadas pelos agressores. Mas na nuvem de ofensas elaborada no estudo aparecem também "safada fedida", "urubu fedido", "favelado", "gorila", "escrava", entre outras expressões.

— O que se observa nas palavras em destaque é que os aspectos que constroem o fenótipo negro (cor da pele, formato do nariz, textura do cabelo), as religiões de matriz africana e a própria herança histórica da escravização foram os elementos utilizados para a depreciação das vítimas — relata o Dossiê.

 

Fonte: Portal R7

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